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Saúde

Ácido Folínico no Transtorno do Espectro Autista: o que diz a evidência científica até o momento

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Nos últimos meses, o ácido folínico passou a ser amplamente divulgado como possível “tratamento para o autismo”. Naturalmente, isso despertou esperança em muitas famílias e também levantou questionamentos entre profissionais da saúde.

Diante de um tema sensível como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), é essencial analisar as informações com equilíbrio. Nem desconsiderar dados promissores, nem transformar resultados iniciais em promessa universal.

A pergunta central permanece objetiva: o que a ciência realmente demonstra até o momento?

Por que o ácido folínico começou a ser estudado no autismo?

O ácido folínico, também conhecido como leucovorina ou folinato de cálcio, é uma forma reduzida e metabolicamente ativa do folato. Diferentemente do ácido fólico tradicional, ele não depende das mesmas etapas metabólicas para exercer suas funções biológicas.

Seu uso no contexto do TEA surgiu a partir da hipótese de que um subgrupo de indivíduos poderia apresentar Deficiência Cerebral de Folato (DCF).

Em parte desses casos, há presença de autoanticorpos contra o receptor de folato alfa (FRAA). Esses anticorpos podem interferir no transporte adequado de folato através da barreira hematoencefálica, reduzindo sua disponibilidade no sistema nervoso central.

A proposta terapêutica é que o ácido folínico possa contornar parcialmente essa limitação, favorecendo maior disponibilidade intracerebral de folato e, potencialmente, impactando funções cognitivas e de linguagem.

É fundamental destacar que essa hipótese não se aplica a todos os indivíduos com TEA, mas possivelmente a um subgrupo biologicamente específico.

O que os estudos mostraram até agora?

O estudo clínico mais citado sobre o tema foi um ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com duração de 12 semanas, envolvendo crianças com TEA e prejuízo significativo de linguagem.

Os resultados demonstraram melhora na comunicação verbal no grupo tratado com ácido folínico, com efeito mais evidente entre aqueles com positividade para FRAA.

Esses achados foram inicialmente interpretados como promissores. No entanto, alguns pontos sempre exigiram cautela:

  • A amostra foi relativamente pequena
  • O período de acompanhamento foi curto
  • O desfecho principal foi linguagem, não todos os domínios do desenvolvimento
  • Ainda eram necessários estudos maiores e multicêntricos

Atualização importante sobre o principal estudo clínico

Em janeiro de 2026, o periódico científico European Journal of Pediatrics publicou oficialmente a nota de retratação de um dos ensaios clínicos mais citados sobre ácido folínico no Transtorno do Espectro Autista.

A retratação ocorreu após revisão pós-publicação identificar inconsistências relacionadas à análise dos dados, comprometendo a confiabilidade dos resultados anteriormente divulgados.

Esse fato é particularmente relevante porque o estudo retratado vinha sendo utilizado como uma das principais bases para sustentar a eficácia do ácido folínico no TEA.

Com essa atualização, a literatura disponível torna-se ainda mais limitada, reforçando a necessidade de novos ensaios clínicos metodologicamente robustos, com amostras maiores, critérios claros de seleção e acompanhamento a longo prazo.

O que sabemos neste momento?

Considerando as limitações dos estudos disponíveis e a recente retratação publicada pelo European Journal of Pediatrics, o cenário atual pode ser resumido da seguinte forma:

  • Há plausibilidade biológica em subgrupos específicos
  • Existem estudos iniciais sugerindo possível benefício em linguagem
  • A evidência ainda é limitada e heterogênea
  • Não há dados suficientes para recomendação ampla

Até o momento, não existe evidência robusta que sustente benefício universal do ácido folínico para todos os indivíduos com TEA.

Existe aprovação para autismo?

Nos Estados Unidos, houve movimentação regulatória envolvendo o ácido folínico no contexto da Deficiência Cerebral de Folato, condição que pode cursar com manifestações do neurodesenvolvimento, incluindo características do espectro autista.

Isso não equivale à aprovação ampla do medicamento como tratamento para o Transtorno do Espectro Autista.

No Brasil, o ácido folínico não possui indicação em bula para TEA. Quando utilizado nesse contexto, trata-se de prescrição off-label, prática legítima na medicina desde que baseada em evidência científica, avaliação individualizada, consentimento informado e acompanhamento adequado.

O que isso significa na prática clínica?

O ácido folínico pode representar uma possibilidade terapêutica em situações específicas, especialmente quando há suspeita clínica de Deficiência Cerebral de Folato ou positividade para FRAA.

Entretanto, é fundamental compreender que:

  • Não é tratamento para todo indivíduo com autismo
  • Não substitui intervenções terapêuticas estruturadas
  • Não configura cura

O manejo do TEA permanece centrado em intervenção precoce, terapias baseadas em evidência e abordagem multidisciplinar.

Medicamentos, quando indicados, têm como objetivo tratar sintomas específicos e melhorar funcionalidade, não modificar a condição em sua essência.

Considerações finais

O ácido folínico representa uma linha de investigação promissora dentro da medicina do neurodesenvolvimento, especialmente sob a perspectiva de intervenções direcionadas a subgrupos biológicos específicos.

Entretanto, o estágio atual da evidência científica incluindo a recente retratação publicada no European Journal of Pediatrics  indica que ainda não há base robusta para recomendação ampla no Transtorno do Espectro Autista.

Entre a esperança legítima das famílias e a responsabilidade científica, o caminho mais seguro continua sendo a informação equilibrada, a análise crítica da literatura e a individualização do cuidado.

A ciência avança. Mas ela avança com método.

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Saúde

Flacidez, celulite, volume e contorno: o que há de novo nos tratamentos para os glúteos

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O dermatologista Bruno Albernaz explica o protocolo Bumbum UP, que reúne técnicas voltadas à firmeza da pele, à projeção dos glúteos e às irregularidades causadas por celulite.

A busca por glúteos mais definidos não se resume ao aumento de volume. A flacidez da pele, a perda de sustentação e as marcas de celulite também estão entre as queixas de quem procura tratamentos estéticos para a região. Com diferentes objetivos, os procedimentos podem ser indicados para melhorar o contorno corporal e a qualidade da pele, respeitando as características de cada paciente.

O dermatologista Bruno Albernaz realiza o protocolo Bumbum UP, que reúne três abordagens: bioestimulação de colágeno para tratar a flacidez, preenchimento com ácido hialurônico para trabalhar o volume e subcisão para determinadas formas de celulite.

Créditos da Foto: Divulgação
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A proposta é considerar as diferentes características dos glúteos antes de definir quais técnicas podem ser utilizadas. Enquanto algumas pacientes desejam mais projeção, outras se incomodam com a textura da pele ou com a perda de firmeza.

A busca por glúteos mais definidos

No Brasil, os glúteos ocupam um lugar de destaque na construção dos padrões de beleza. A valorização das curvas aparece na moda, na música e nas redes sociais, influenciando a relação de muitas mulheres com o próprio corpo.

Esse interesse também se reflete na procura por procedimentos estéticos. Além do volume, há atenção à aparência da pele e à harmonia do contorno corporal. A intenção pode ser suavizar determinadas irregularidades, melhorar a firmeza ou realçar a projeção da região.

Créditos da Foto: Divulgação
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Para Albernaz, entender o que incomoda cada paciente é parte importante da escolha do tratamento.

“Nem todo mundo procura o mesmo resultado. Algumas pessoas querem melhorar a flacidez, outras desejam mais volume, enquanto há quem se incomode principalmente com a celulite. O primeiro passo é entender essas diferenças para avaliar quais tratamentos podem fazer sentido”, explica.

Bioestimulação de colágeno para melhorar a firmeza

O colágeno é uma proteína que contribui para a estrutura e a sustentação da pele. Com o passar do tempo, sua produção diminui, e fatores como envelhecimento, variações de peso e características individuais podem influenciar a firmeza dos tecidos.

Créditos da Foto: Divulgação
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Os bioestimuladores de colágeno são utilizados para estimular a produção dessa proteína pelo organismo. Na região glútea, podem ser indicados para pacientes que desejam melhorar a qualidade da pele e tratar determinados graus de flacidez.

No protocolo Bumbum UP realizado pelo dermatologista, essa é a abordagem voltada à firmeza. A indicação depende de avaliação individual, e os resultados variam conforme o produto utilizado, as condições da pele e a resposta de cada paciente.

Preenchimento para trabalhar o volume e a projeção

O preenchimento é uma opção para quem busca mudanças no contorno dos glúteos. O ácido hialurônico pode acrescentar volume e modificar a projeção da região, de acordo com a avaliação médica e as características de cada paciente.

No Bumbum UP, o preenchimento compõe a frente dedicada ao volume. A indicação leva em conta a anatomia, as expectativas e os objetivos de quem procura o tratamento.

“Quando a paciente deseja mais projeção ou quer melhorar o desenho dos glúteos, avaliamos se o preenchimento é uma opção adequada. O objetivo é respeitar as proporções do corpo e entender o que é possível alcançar em cada caso”, afirma o médico.

Subcisão é uma opção para determinadas marcas de celulite

A celulite apresenta diferentes características. Em alguns casos, as depressões na superfície da pele são provocadas por traves fibrosas que conectam estruturas internas e puxam o tecido para baixo.

A subcisão é uma técnica que libera essas traves e pode melhorar a aparência das depressões. No protocolo Bumbum UP, ela é utilizada na abordagem de determinados tipos de celulite, após avaliação das características da pele.

“Nem toda celulite tem a mesma causa ou aparência. Quando as depressões estão relacionadas às traves fibrosas, a subcisão pode ajudar a suavizá-las. Por isso, é importante avaliar a pele antes de definir o tratamento”, diz Albernaz.

A resposta depende de fatores individuais, e nem todas as irregularidades da pele podem ser tratadas da mesma maneira. A avaliação permite identificar as características da região e discutir as opções mais adequadas para cada caso.

Bumbum UP reúne três frentes de tratamento

O protocolo Bumbum UP, realizado pelo dermatologista Bruno Albernaz, organiza a abordagem dos glúteos em três pilares: flacidez, volume e celulite. A bioestimulação de colágeno, o preenchimento e a subcisão têm finalidades distintas, e a indicação de cada um depende das necessidades identificadas na consulta.

Isso significa que o planejamento não precisa incluir todas as técnicas. Uma paciente pode buscar melhora na qualidade da pele, enquanto outra pode desejar mudanças no volume ou apresentar depressões que justifiquem a avaliação para subcisão.

Créditos da Foto: Divulgação
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A escolha considera as características individuais e os objetivos de cada paciente. Embora os tratamentos possam contribuir para mudanças na aparência, os resultados variam e não existe uma técnica única capaz de atender a todas as queixas da região glútea.

Segurança e planejamento a longo prazo

Além do resultado estético, a escolha dos produtos e das técnicas faz parte do planejamento. Albernaz afirma que o protocolo não utiliza PMMA, sigla para polimetilmetacrilato, material permanente utilizado em determinados procedimentos de preenchimento.

“É importante pensar nos resultados a médio e longo prazo e ter critério na escolha dos produtos. A segurança precisa vir antes da busca por uma mudança estética”, afirma o médico.

A avaliação dermatológica permite discutir as opções disponíveis, esclarecer dúvidas e definir quais procedimentos são compatíveis com as características e as expectativas de cada paciente.

A busca por um contorno corporal específico envolve desejos individuais e diferentes possibilidades de tratamento. Nesse cenário, a consulta médica é importante para estabelecer objetivos realistas e escolher uma abordagem adequada para cada pessoa.

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Geral

Academia Carioca promove saúde, bem-estar e integração em caminhada pelo Boulevard Olímpico

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O Boulevard Olímpico, um dos pontos turísticos mais emblemáticos do Rio de Janeiro, foi o cenário de uma iniciativa que uniu atividade física, lazer e promoção da saúde. Alunos da Academia Carioca, programa de incentivo à prática de exercícios vinculado à Clínica da Família Anthídio Dias da Silveira, participaram de uma caminhada ao ar livre com foco na qualidade de vida e na convivência social.

A atividade foi conduzida pelo professor Philipe Vasques, com o apoio dos monitores do programa, e proporcionou aos participantes a oportunidade de praticar exercícios em um ambiente diferente da rotina habitual, explorando um dos espaços públicos mais conhecidos da cidade.

Créditos da Foto: Divulgação
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Além de estimular o movimento e a adoção de hábitos saudáveis, a iniciativa reforçou a importância da atividade física como instrumento de prevenção de doenças e promoção do bem-estar físico e emocional. A proposta também valorizou a convivência entre os participantes, incentivando a socialização e o fortalecimento dos vínculos comunitários.

Créditos da Foto: Divulgação
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A ação acompanha uma perspectiva importante da atenção primária à saúde: ampliar o cuidado para além dos consultórios e das unidades de atendimento, utilizando os espaços urbanos como ambientes de promoção da saúde, prevenção e inclusão social.

Créditos da Foto: Divulgação
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Durante o percurso, a troca de experiências e os momentos de descontração contribuíram para tornar a caminhada uma experiência coletiva de cuidado e integração. A iniciativa demonstrou como atividades acessíveis podem incentivar a participação da população e aproximar a promoção da saúde do cotidiano das pessoas.

Créditos da Foto: Divulgação
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Com ações como essa, a Academia Carioca fortalece seu compromisso com a qualidade de vida, mostrando que cuidar da saúde também significa estimular o convívio social, ocupar os espaços públicos e incentivar escolhas que contribuam para uma rotina mais ativa e saudável.

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Saúde

Lipedema: por que dietas restritivas e treinos excessivos podem não ser a melhor estratégia

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Especialista explica como alimentação e exercício podem ajudar no controle dos sintomas sem transformar o cuidado com o corpo em uma rotina de cobranças

Yasmin Brunet, Paolla Oliveira, Rafa Brites, Juliane Massaoka, Amanda Djehdian, Bárbara Reis e outras mulheres conhecidas do público brasileiro ajudaram a colocar o lipedema no centro das discussões. A condição, que afeta predominantemente mulheres, pode provocar um aumento desproporcional do tecido adiposo, principalmente nos membros inferiores, além de sintomas como dor, sensação de peso, sensibilidade e facilidade para desenvolver hematomas.

Com o aumento da visibilidade da doença, também crescem as dúvidas sobre alimentação e atividade física. Afinal, depois do diagnóstico, é preciso mudar completamente a dieta? Aumentar a carga dos treinos? Cortar determinados alimentos?

Para o nutricionista e profissional de Educação Física MSc Daniel Reis (@nutri.danielreis), a resposta não passa por medidas radicais. Segundo o especialista, antes de pensar em perder centímetros ou mudar o corpo a qualquer custo, é preciso entender os sintomas e a rotina de cada mulher.

“Se eu fosse o nutricionista e preparador físico dessas mulheres, eu não começaria tentando fazer as pernas diminuírem a qualquer custo. Começaria entendendo os sintomas, a rotina, a alimentação, a força muscular e a relação daquela mulher com o próprio corpo”, afirma.

Paolla Oliveira e a discussão sobre o corpo feminino

Paolla Oliveira também passou a integrar o debate sobre lipedema e as mudanças corporais enfrentadas por muitas mulheres. Conhecida por defender uma relação menos punitiva com o próprio corpo, a atriz ajuda a ampliar uma discussão importante: nem toda mudança na aparência está relacionada simplesmente à falta de dieta ou exercício.

Na avaliação do especialista, a cobrança constante para emagrecer pode ser especialmente desgastante para mulheres que convivem com sintomas do lipedema.

“Muitas passaram anos ouvindo que precisavam apenas emagrecer. Algumas fizeram inúmeras dietas, aumentaram o volume de exercícios e continuaram convivendo com dor, sensibilidade e uma distribuição corporal que não compreendiam.”

Se estivesse à frente do acompanhamento nutricional de uma paciente como Paolla, o profissional de Educação Física e nutricionista diz que não começaria por uma dieta radical.

“Eu começaria entendendo como essa mulher come, como dorme, como treina, quais são seus sintomas e quais objetivos realmente importam para sua saúde.”

Yasmin Brunet e a importância de entender o diagnóstico

Yasmin Brunet foi uma das personalidades que ajudaram a ampliar a conversa sobre lipedema no Brasil. A modelo já falou publicamente sobre o diagnóstico e sobre as dificuldades que enfrentou para entender as mudanças em seu corpo.

Para Reis, um dos pontos que merecem atenção é a ideia de que o lipedema estaria necessariamente relacionado ao excesso de peso.

“Uma mulher pode estar dentro de um peso considerado normal e ainda apresentar lipedema. Por isso, olhar apenas para a balança é insuficiente”, explica.

Na visão do nutricionista, dietas muito restritivas não deveriam ser a primeira escolha no planejamento alimentar.

“Não existe uma dieta milagrosa capaz de curar o lipedema. O que existe é uma alimentação individualizada, com qualidade nutricional e estratégias que façam sentido para aquela paciente.”

Rafa Brites e a importância de olhar além do peso

Rafa Brites também falou publicamente sobre o diagnóstico e ajudou a ampliar a discussão sobre mulheres que convivem com sintomas mesmo sem apresentarem excesso importante de peso corporal.

De acordo com o profissional, situações como essa mostram por que a avaliação não deve se resumir ao peso corporal.

“Se a paciente está com dor, sensação de peso, dificuldade para se movimentar ou outros sintomas, o objetivo não pode ser simplesmente emagrecer. Precisamos avaliar a pessoa como um todo.”

No planejamento alimentar, o especialista diz que priorizaria proteínas suficientes, além de frutas, vegetais, fibras e alimentos minimamente processados.

“Eu não começaria cortando tudo. Quanto mais restritiva é a dieta, maior pode ser a dificuldade de manter aquela rotina por muito tempo.”

Juliane Massaoka e outras famosas ajudam a tirar o lipedema do silêncio

Juliane Massaoka também tornou pública sua experiência com o lipedema. A comunicadora contou sobre a condição e passou a falar sobre o diagnóstico e o tratamento, ajudando a ampliar a conversa sobre uma doença que ainda é confundida com outras alterações corporais.

Para o nutricionista, quando pessoas conhecidas compartilham suas experiências, outras mulheres podem se identificar e procurar ajuda. “Quando uma pessoa conhecida fala sobre a doença, muitas mulheres começam a reconhecer sintomas que ignoraram durante anos. Mas é importante lembrar: não podemos diagnosticar ninguém olhando uma fotografia.”

Segundo o profissional de Educação Física, ter pernas volumosas, celulite ou dificuldade para perder gordura localizada não significa, automaticamente, ter lipedema. “O diagnóstico precisa ser clínico e realizado por profissionais capacitados”, reforça.

Reis lista cinco estratégias que poderiam fazer parte do treinamento de mulheres diagnosticadas com lipedema:

1. Musculação como prioridade
De acordo com o profissional de Educação Física, o treinamento de força pode contribuir para melhorar a força, a capacidade funcional e a preservação ou o aumento da massa muscular.

2. Aeróbico adaptado à paciente
Para o especialista, caminhada, bicicleta e exercícios aquáticos podem ser alternativas. A escolha, segundo ele, depende da condição física, dos sintomas e da preferência de cada mulher.

3. Progressão sem exageros
O nutricionista e profissional de Educação Física defende que não é necessário começar com treinos exaustivos. Para ele, a evolução deve acontecer de forma gradual.

4. Monitoramento dos sintomas
Segundo o especialista, dor, sensação de peso, mobilidade e qualidade de vida também devem ser considerados. Para o profissional, o peso corporal não é o único indicador de evolução.

5. Constância acima da intensidade
Na avaliação de Reis, o melhor treino é aquele que a paciente consegue manter. A regularidade ao longo do tempo é mais importante do que treinar intensamente por poucas semanas.

Alimentação não deve ser punição

Segundo o nutricionista, o diagnóstico pode levar algumas mulheres a buscar rapidamente dietas milagrosas, suplementos ou estratégias radicais. Para ele, esse tipo de comportamento pode gerar frustração e dificultar a manutenção de uma rotina saudável. “O problema é quando a paciente acredita que existe um alimento proibido ou um suplemento que vai resolver tudo. O tratamento precisa ser individualizado.”

De acordo com o especialista, uma alimentação equilibrada pode incluir proteínas adequadas, frutas, verduras, legumes, fibras e hidratação, além de reduzir o consumo frequente de alimentos ultraprocessados. “Mas não existe necessidade de criar medo da comida. Uma paciente não precisa viver em uma dieta de punição.”

Exercício não é castigo

Outro ponto destacado pelo profissional de Educação Física é a ideia de compensar a alimentação com horas de exercício. Segundo ele, essa não deveria ser a lógica para quem tem lipedema. “Eu não colocaria nenhuma dessas famosas em uma rotina de treino como punição por comer. Exercício não é castigo”, afirma.

A proposta, explica o especialista, é encontrar uma atividade que possa ser incorporada à rotina e contribua para força, condicionamento e funcionalidade. “Algumas mulheres vão gostar de musculação. Outras, de bicicleta. Algumas terão melhor adaptação à água. A melhor estratégia é aquela que respeita o corpo e também a rotina da paciente.”

O sucesso não está apenas na fita métrica

Para o nutricionista, outro erro é transformar a medida das pernas ou o número da balança no principal indicador de resultado. “Se eu fosse o nutricionista e preparador físico dessas famosas, não definiria sucesso apenas pela medida da coxa ou pelo número na balança.”

Na avaliação do especialista, a evolução também pode aparecer em aspectos do cotidiano, como mais força, melhor condicionamento, maior disposição, menos limitações para se movimentar e melhora da qualidade de vida. “O corpo não precisa ser punido para ser cuidado. Essa é a mensagem que eu gostaria que Paolla Oliveira, Yasmin Brunet, Rafa Brites e todas as mulheres com lipedema recebessem”, afirma.

Para Reis, a maior exposição do lipedema pode ajudar mulheres que convivem com sintomas a procurar informação e avaliação adequada. Mas, segundo ele, não existe uma fórmula única. “Cada paciente tem uma história, sintomas, rotina e necessidades diferentes. O papel da nutrição e do exercício físico é ajudar essa mulher a viver melhor, e não colocá-la em uma guerra contra o próprio corpo”, finaliza.

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