Saúde
Além do positivo ou negativo: 4 razões para repensar o diagnóstico de ISTs

Os métodos clássicos, como o painel de sete patógenos, ainda são utilizados, mas apresentam limitações na identificação dos microrganismos
Responsáveis por cerca de 1 milhão de novos casos a cada dia, conforme estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) têm recebido uma atenção especial do mercado de estudos e aplicações clínicas da microbiota vaginal, que está em expansão acelerada, com projeções que indicam crescimento de 1,4 bilhão de dólares, em 2025, para mais de 7 bilhões até 2031. Apesar de boa parte dos laboratórios brasileiros ainda utilizar os exames tradicionais para a detecção dessas doenças, as pesquisas caminham para uma avaliação mais ampla.
É o que explica Cláudia Oliveira, biomédica, pós-graduada em Citologia Clínica e consultora de Inovação Diagnóstica da Biomédica Equipamentos. “Os exames de PCR em tempo real, como o Femoflor Screen, ampliam o diagnóstico ginecológico tradicional, porque, além de identificarem os principais patógenos sexualmente transmissíveis, avaliam, de forma quantitativa, o equilíbrio da microbiota vaginal, informação que os painéis convencionais de ISTs, limitados a resultados qualitativos de presença ou ausência, não oferecem”, acrescenta.
Ao mostrar, simultaneamente, o que está presente, em que quantidade e qual a condição geral da microbiota, os exames de PCR em tempo real permitem que o médico direcione o tratamento com base em dados, não em tentativa empírica, reproduzindo, na saúde íntima feminina, a mesma transformação que os painéis multiplex já trouxeram ao diagnóstico respiratório. Abaixo, a especialista detalha as razões para ir além dos métodos clássicos.
- Avaliação quantitativa
O painel de sete patógenos, padrão em boa parte dos laboratórios brasileiros, informa apenas a presença ou a ausência de um microrganismo causador de IST. Os exames de PCR em tempo real, por sua vez, entregam quais patógenos se fazem presentes, se há desequilíbrio real da microbiota vaginal associado a eles, o percentual de lactobacilos, a massa bacteriana total e a indicação – ou não – de necessidade de tratamento. - Tratamento mais assertivo
Falando em tratamento, ao cruzar a carga do microrganismo identificado com a massa bacteriana total da amostra, os exames de PCR em tempo real mostram se aquele patógeno está, de fato, associado aos sintomas, conforme os parâmetros de referência estabelecidos. O percentual de lactobacilos complementa essa leitura, já que indica a eubiose (equilíbrio) ou a disbiose (desequilíbrio) da microbiota vaginal, reduzindo as trocas sucessivas de antibióticos e antifúngicos. - Resposta para pacientes com sintomas e exames ‘normais’
Uma das ocorrências mais frequentes no consultório é a paciente com queixa clara e painel de IST negativo. Por analisar o cenário completo da microbiota, não apenas a presença de patógenos, os exames de PCR em tempo real ajudam a identificar alterações que o teste convencional não captura, dando ao médico uma explicação clínica onde, antes, havia somente um resultado inconclusivo. - Impacto na fertilidade e gestação
O painel convencional de IST não diferencia os microrganismos pela sua relevância para desfechos reprodutivos nem avalia sinais de inflamação subclínica associados a infertilidade, falha de FIV ou parto prematuro – riscos, hoje, amplamente discutidos na literatura sobre microbiota vaginal. Os exames de PCR em tempo real ampliam essa janela de investigação ao caracterizarem o ecossistema como um todo, não apenas a presença isolada de um agente infeccioso.
Sobre a Biomédica – Inteligência Diagnóstica
A Biomédica – Inteligência Diagnóstica é um grupo brasileiro dedicado à disponibilização de soluções inovadoras para o diagnóstico laboratorial. A companhia possui foco em qualidade, tecnologia e precisão, transformando dados em inteligência para apoiar profissionais de saúde e contribuir para a melhora da experiência dos pacientes.
Fundada em 1996, a Biomédica é referência no fornecimento de equipamentos e insumos de última geração para a Medicina Diagnóstica no Brasil. O seu portfólio contempla soluções nas áreas de Biologia Molecular, NGS e Oncologia, Testes Rápidos, Agregação Plaquetária, Elisa/Kits Sorológicos Imunoenzimáticos e Insumos Plásticos. Composto por nove empresas, o grupo conta com 465 produtos registrados.
Saúde
Flacidez, celulite, volume e contorno: o que há de novo nos tratamentos para os glúteos
O dermatologista Bruno Albernaz explica o protocolo Bumbum UP, que reúne técnicas voltadas à firmeza da pele, à projeção dos glúteos e às irregularidades causadas por celulite.
A busca por glúteos mais definidos não se resume ao aumento de volume. A flacidez da pele, a perda de sustentação e as marcas de celulite também estão entre as queixas de quem procura tratamentos estéticos para a região. Com diferentes objetivos, os procedimentos podem ser indicados para melhorar o contorno corporal e a qualidade da pele, respeitando as características de cada paciente.
O dermatologista Bruno Albernaz realiza o protocolo Bumbum UP, que reúne três abordagens: bioestimulação de colágeno para tratar a flacidez, preenchimento com ácido hialurônico para trabalhar o volume e subcisão para determinadas formas de celulite.

A proposta é considerar as diferentes características dos glúteos antes de definir quais técnicas podem ser utilizadas. Enquanto algumas pacientes desejam mais projeção, outras se incomodam com a textura da pele ou com a perda de firmeza.
A busca por glúteos mais definidos
No Brasil, os glúteos ocupam um lugar de destaque na construção dos padrões de beleza. A valorização das curvas aparece na moda, na música e nas redes sociais, influenciando a relação de muitas mulheres com o próprio corpo.
Esse interesse também se reflete na procura por procedimentos estéticos. Além do volume, há atenção à aparência da pele e à harmonia do contorno corporal. A intenção pode ser suavizar determinadas irregularidades, melhorar a firmeza ou realçar a projeção da região.

Para Albernaz, entender o que incomoda cada paciente é parte importante da escolha do tratamento.
“Nem todo mundo procura o mesmo resultado. Algumas pessoas querem melhorar a flacidez, outras desejam mais volume, enquanto há quem se incomode principalmente com a celulite. O primeiro passo é entender essas diferenças para avaliar quais tratamentos podem fazer sentido”, explica.
Bioestimulação de colágeno para melhorar a firmeza
O colágeno é uma proteína que contribui para a estrutura e a sustentação da pele. Com o passar do tempo, sua produção diminui, e fatores como envelhecimento, variações de peso e características individuais podem influenciar a firmeza dos tecidos.

Os bioestimuladores de colágeno são utilizados para estimular a produção dessa proteína pelo organismo. Na região glútea, podem ser indicados para pacientes que desejam melhorar a qualidade da pele e tratar determinados graus de flacidez.
No protocolo Bumbum UP realizado pelo dermatologista, essa é a abordagem voltada à firmeza. A indicação depende de avaliação individual, e os resultados variam conforme o produto utilizado, as condições da pele e a resposta de cada paciente.
Preenchimento para trabalhar o volume e a projeção
O preenchimento é uma opção para quem busca mudanças no contorno dos glúteos. O ácido hialurônico pode acrescentar volume e modificar a projeção da região, de acordo com a avaliação médica e as características de cada paciente.
No Bumbum UP, o preenchimento compõe a frente dedicada ao volume. A indicação leva em conta a anatomia, as expectativas e os objetivos de quem procura o tratamento.
“Quando a paciente deseja mais projeção ou quer melhorar o desenho dos glúteos, avaliamos se o preenchimento é uma opção adequada. O objetivo é respeitar as proporções do corpo e entender o que é possível alcançar em cada caso”, afirma o médico.
Subcisão é uma opção para determinadas marcas de celulite
A celulite apresenta diferentes características. Em alguns casos, as depressões na superfície da pele são provocadas por traves fibrosas que conectam estruturas internas e puxam o tecido para baixo.
A subcisão é uma técnica que libera essas traves e pode melhorar a aparência das depressões. No protocolo Bumbum UP, ela é utilizada na abordagem de determinados tipos de celulite, após avaliação das características da pele.
“Nem toda celulite tem a mesma causa ou aparência. Quando as depressões estão relacionadas às traves fibrosas, a subcisão pode ajudar a suavizá-las. Por isso, é importante avaliar a pele antes de definir o tratamento”, diz Albernaz.
A resposta depende de fatores individuais, e nem todas as irregularidades da pele podem ser tratadas da mesma maneira. A avaliação permite identificar as características da região e discutir as opções mais adequadas para cada caso.
Bumbum UP reúne três frentes de tratamento
O protocolo Bumbum UP, realizado pelo dermatologista Bruno Albernaz, organiza a abordagem dos glúteos em três pilares: flacidez, volume e celulite. A bioestimulação de colágeno, o preenchimento e a subcisão têm finalidades distintas, e a indicação de cada um depende das necessidades identificadas na consulta.
Isso significa que o planejamento não precisa incluir todas as técnicas. Uma paciente pode buscar melhora na qualidade da pele, enquanto outra pode desejar mudanças no volume ou apresentar depressões que justifiquem a avaliação para subcisão.

A escolha considera as características individuais e os objetivos de cada paciente. Embora os tratamentos possam contribuir para mudanças na aparência, os resultados variam e não existe uma técnica única capaz de atender a todas as queixas da região glútea.
Segurança e planejamento a longo prazo
Além do resultado estético, a escolha dos produtos e das técnicas faz parte do planejamento. Albernaz afirma que o protocolo não utiliza PMMA, sigla para polimetilmetacrilato, material permanente utilizado em determinados procedimentos de preenchimento.
“É importante pensar nos resultados a médio e longo prazo e ter critério na escolha dos produtos. A segurança precisa vir antes da busca por uma mudança estética”, afirma o médico.
A avaliação dermatológica permite discutir as opções disponíveis, esclarecer dúvidas e definir quais procedimentos são compatíveis com as características e as expectativas de cada paciente.
A busca por um contorno corporal específico envolve desejos individuais e diferentes possibilidades de tratamento. Nesse cenário, a consulta médica é importante para estabelecer objetivos realistas e escolher uma abordagem adequada para cada pessoa.
Geral
Academia Carioca promove saúde, bem-estar e integração em caminhada pelo Boulevard Olímpico
O Boulevard Olímpico, um dos pontos turísticos mais emblemáticos do Rio de Janeiro, foi o cenário de uma iniciativa que uniu atividade física, lazer e promoção da saúde. Alunos da Academia Carioca, programa de incentivo à prática de exercícios vinculado à Clínica da Família Anthídio Dias da Silveira, participaram de uma caminhada ao ar livre com foco na qualidade de vida e na convivência social.
A atividade foi conduzida pelo professor Philipe Vasques, com o apoio dos monitores do programa, e proporcionou aos participantes a oportunidade de praticar exercícios em um ambiente diferente da rotina habitual, explorando um dos espaços públicos mais conhecidos da cidade.

Além de estimular o movimento e a adoção de hábitos saudáveis, a iniciativa reforçou a importância da atividade física como instrumento de prevenção de doenças e promoção do bem-estar físico e emocional. A proposta também valorizou a convivência entre os participantes, incentivando a socialização e o fortalecimento dos vínculos comunitários.


A ação acompanha uma perspectiva importante da atenção primária à saúde: ampliar o cuidado para além dos consultórios e das unidades de atendimento, utilizando os espaços urbanos como ambientes de promoção da saúde, prevenção e inclusão social.

Durante o percurso, a troca de experiências e os momentos de descontração contribuíram para tornar a caminhada uma experiência coletiva de cuidado e integração. A iniciativa demonstrou como atividades acessíveis podem incentivar a participação da população e aproximar a promoção da saúde do cotidiano das pessoas.

Com ações como essa, a Academia Carioca fortalece seu compromisso com a qualidade de vida, mostrando que cuidar da saúde também significa estimular o convívio social, ocupar os espaços públicos e incentivar escolhas que contribuam para uma rotina mais ativa e saudável.
Saúde
Lipedema: por que dietas restritivas e treinos excessivos podem não ser a melhor estratégia

Especialista explica como alimentação e exercício podem ajudar no controle dos sintomas sem transformar o cuidado com o corpo em uma rotina de cobranças
Yasmin Brunet, Paolla Oliveira, Rafa Brites, Juliane Massaoka, Amanda Djehdian, Bárbara Reis e outras mulheres conhecidas do público brasileiro ajudaram a colocar o lipedema no centro das discussões. A condição, que afeta predominantemente mulheres, pode provocar um aumento desproporcional do tecido adiposo, principalmente nos membros inferiores, além de sintomas como dor, sensação de peso, sensibilidade e facilidade para desenvolver hematomas.
Com o aumento da visibilidade da doença, também crescem as dúvidas sobre alimentação e atividade física. Afinal, depois do diagnóstico, é preciso mudar completamente a dieta? Aumentar a carga dos treinos? Cortar determinados alimentos?
Para o nutricionista e profissional de Educação Física MSc Daniel Reis (@nutri.danielreis), a resposta não passa por medidas radicais. Segundo o especialista, antes de pensar em perder centímetros ou mudar o corpo a qualquer custo, é preciso entender os sintomas e a rotina de cada mulher.
“Se eu fosse o nutricionista e preparador físico dessas mulheres, eu não começaria tentando fazer as pernas diminuírem a qualquer custo. Começaria entendendo os sintomas, a rotina, a alimentação, a força muscular e a relação daquela mulher com o próprio corpo”, afirma.
Paolla Oliveira e a discussão sobre o corpo feminino
Paolla Oliveira também passou a integrar o debate sobre lipedema e as mudanças corporais enfrentadas por muitas mulheres. Conhecida por defender uma relação menos punitiva com o próprio corpo, a atriz ajuda a ampliar uma discussão importante: nem toda mudança na aparência está relacionada simplesmente à falta de dieta ou exercício.
Na avaliação do especialista, a cobrança constante para emagrecer pode ser especialmente desgastante para mulheres que convivem com sintomas do lipedema.
“Muitas passaram anos ouvindo que precisavam apenas emagrecer. Algumas fizeram inúmeras dietas, aumentaram o volume de exercícios e continuaram convivendo com dor, sensibilidade e uma distribuição corporal que não compreendiam.”
Se estivesse à frente do acompanhamento nutricional de uma paciente como Paolla, o profissional de Educação Física e nutricionista diz que não começaria por uma dieta radical.
“Eu começaria entendendo como essa mulher come, como dorme, como treina, quais são seus sintomas e quais objetivos realmente importam para sua saúde.”
Yasmin Brunet e a importância de entender o diagnóstico
Yasmin Brunet foi uma das personalidades que ajudaram a ampliar a conversa sobre lipedema no Brasil. A modelo já falou publicamente sobre o diagnóstico e sobre as dificuldades que enfrentou para entender as mudanças em seu corpo.
Para Reis, um dos pontos que merecem atenção é a ideia de que o lipedema estaria necessariamente relacionado ao excesso de peso.
“Uma mulher pode estar dentro de um peso considerado normal e ainda apresentar lipedema. Por isso, olhar apenas para a balança é insuficiente”, explica.
Na visão do nutricionista, dietas muito restritivas não deveriam ser a primeira escolha no planejamento alimentar.
“Não existe uma dieta milagrosa capaz de curar o lipedema. O que existe é uma alimentação individualizada, com qualidade nutricional e estratégias que façam sentido para aquela paciente.”
Rafa Brites e a importância de olhar além do peso
Rafa Brites também falou publicamente sobre o diagnóstico e ajudou a ampliar a discussão sobre mulheres que convivem com sintomas mesmo sem apresentarem excesso importante de peso corporal.
De acordo com o profissional, situações como essa mostram por que a avaliação não deve se resumir ao peso corporal.
“Se a paciente está com dor, sensação de peso, dificuldade para se movimentar ou outros sintomas, o objetivo não pode ser simplesmente emagrecer. Precisamos avaliar a pessoa como um todo.”
No planejamento alimentar, o especialista diz que priorizaria proteínas suficientes, além de frutas, vegetais, fibras e alimentos minimamente processados.
“Eu não começaria cortando tudo. Quanto mais restritiva é a dieta, maior pode ser a dificuldade de manter aquela rotina por muito tempo.”
Juliane Massaoka e outras famosas ajudam a tirar o lipedema do silêncio
Juliane Massaoka também tornou pública sua experiência com o lipedema. A comunicadora contou sobre a condição e passou a falar sobre o diagnóstico e o tratamento, ajudando a ampliar a conversa sobre uma doença que ainda é confundida com outras alterações corporais.
Para o nutricionista, quando pessoas conhecidas compartilham suas experiências, outras mulheres podem se identificar e procurar ajuda. “Quando uma pessoa conhecida fala sobre a doença, muitas mulheres começam a reconhecer sintomas que ignoraram durante anos. Mas é importante lembrar: não podemos diagnosticar ninguém olhando uma fotografia.”
Segundo o profissional de Educação Física, ter pernas volumosas, celulite ou dificuldade para perder gordura localizada não significa, automaticamente, ter lipedema. “O diagnóstico precisa ser clínico e realizado por profissionais capacitados”, reforça.
Reis lista cinco estratégias que poderiam fazer parte do treinamento de mulheres diagnosticadas com lipedema:
1. Musculação como prioridade
De acordo com o profissional de Educação Física, o treinamento de força pode contribuir para melhorar a força, a capacidade funcional e a preservação ou o aumento da massa muscular.
2. Aeróbico adaptado à paciente
Para o especialista, caminhada, bicicleta e exercícios aquáticos podem ser alternativas. A escolha, segundo ele, depende da condição física, dos sintomas e da preferência de cada mulher.
3. Progressão sem exageros
O nutricionista e profissional de Educação Física defende que não é necessário começar com treinos exaustivos. Para ele, a evolução deve acontecer de forma gradual.
4. Monitoramento dos sintomas
Segundo o especialista, dor, sensação de peso, mobilidade e qualidade de vida também devem ser considerados. Para o profissional, o peso corporal não é o único indicador de evolução.
5. Constância acima da intensidade
Na avaliação de Reis, o melhor treino é aquele que a paciente consegue manter. A regularidade ao longo do tempo é mais importante do que treinar intensamente por poucas semanas.
Alimentação não deve ser punição
Segundo o nutricionista, o diagnóstico pode levar algumas mulheres a buscar rapidamente dietas milagrosas, suplementos ou estratégias radicais. Para ele, esse tipo de comportamento pode gerar frustração e dificultar a manutenção de uma rotina saudável. “O problema é quando a paciente acredita que existe um alimento proibido ou um suplemento que vai resolver tudo. O tratamento precisa ser individualizado.”
De acordo com o especialista, uma alimentação equilibrada pode incluir proteínas adequadas, frutas, verduras, legumes, fibras e hidratação, além de reduzir o consumo frequente de alimentos ultraprocessados. “Mas não existe necessidade de criar medo da comida. Uma paciente não precisa viver em uma dieta de punição.”
Exercício não é castigo
Outro ponto destacado pelo profissional de Educação Física é a ideia de compensar a alimentação com horas de exercício. Segundo ele, essa não deveria ser a lógica para quem tem lipedema. “Eu não colocaria nenhuma dessas famosas em uma rotina de treino como punição por comer. Exercício não é castigo”, afirma.
A proposta, explica o especialista, é encontrar uma atividade que possa ser incorporada à rotina e contribua para força, condicionamento e funcionalidade. “Algumas mulheres vão gostar de musculação. Outras, de bicicleta. Algumas terão melhor adaptação à água. A melhor estratégia é aquela que respeita o corpo e também a rotina da paciente.”
O sucesso não está apenas na fita métrica
Para o nutricionista, outro erro é transformar a medida das pernas ou o número da balança no principal indicador de resultado. “Se eu fosse o nutricionista e preparador físico dessas famosas, não definiria sucesso apenas pela medida da coxa ou pelo número na balança.”
Na avaliação do especialista, a evolução também pode aparecer em aspectos do cotidiano, como mais força, melhor condicionamento, maior disposição, menos limitações para se movimentar e melhora da qualidade de vida. “O corpo não precisa ser punido para ser cuidado. Essa é a mensagem que eu gostaria que Paolla Oliveira, Yasmin Brunet, Rafa Brites e todas as mulheres com lipedema recebessem”, afirma.
Para Reis, a maior exposição do lipedema pode ajudar mulheres que convivem com sintomas a procurar informação e avaliação adequada. Mas, segundo ele, não existe uma fórmula única. “Cada paciente tem uma história, sintomas, rotina e necessidades diferentes. O papel da nutrição e do exercício físico é ajudar essa mulher a viver melhor, e não colocá-la em uma guerra contra o próprio corpo”, finaliza.
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